Filadélfia Logo

Sem fórmulas - Márcio Doti e Aderson Fagundes

Voltar
Anterior
Próximo

Novidades

Capa, Portfolio

Filadélfia e Maria Conta na Archive

Ser selecionado pela revista Archive, uma das mais importantes do mundo, é muito bom. Fazendo campanha para uma causa tão nobre é melhor ainda.

A Filadélfia emplacou na revista três peças criadas para o coletivo feminista Maria Conta, que luta pelo fim da violência contra a mulher.

Os anúncios trazem desculpas absurdas de agressores para mostrar que nenhuma tentativa de explicar o assédio é valida. A verdade é que #nadajustifica.

Redatora: Emília Guimarães
Diretor de Arte e Ilustrador: Márcio Quintão
Diretor de Criação: Manuel Rolim
Diretor Executivo de Criação: Dan Zecchinelli
Atendimento: Iara Couto
Aprovação: Maria Lucia Almeida, Luiza Garcia, Marcos Caldas, Caio Couto e Paula Lopes.

De-Bem

Criminoso

Monstro

News

Storytelling x Verborragia

storytelling_filadelfiacom

(por Dave Trott, originalmente aqui)

Hoje em dia, todo mundo precisa dizer que é storyteller.

Como quase tudo, é apenas um nome novo para uma ideia antiga.

Mas pergunte a eles o que é uma história e eles vão enterrar você em adjetivos.

Uma história é: tocante, envolvente, divertida, educativa, edificante.

Ela deve revelar uma verdade interior, despertar uma emoção básica, expressar uma necessidade básica, falar para a humanidade comum em cada pessoa.

E você continua sem entender.

Porque eles nunca dizem nada que possa ser definido claramente.

Mas Steve Pressfield é um storyteller de verdade.

Ele já escreveu publicidade, peças, romances.

Ele escreveu um livro chamado “NINGUÉM QUER LER SUAS BESTEIRAS” (Nobody wants to read your shit).

E quando ele escreve sobre uma história, é o senso comum, claro e cristalino.

E a coisa mais útil que você vai ler sobre seu negócio.

Aqui está:

MESMO UMA NÃO-HISTÓRIA É UMA HISTÓRIA

Quais são os elementos estruturais universais de todas as histórias?
1) Gancho.
2) Construção.
3) Desfecho.

This is the shape any story must take.
Essa é a forma que qualquer história deve ter.

1) Um começo que “agarre” o ouvinte.

2) Um meio que escala em tensão, suspense, excitação.

3) Um final que deixa tudo perfeitamente claro, de maneira estimulante.

Isso é um romance, uma peça, um filme, uma piada, uma sedução, uma campanha militar.

Também é sua palestra no TED, sua campanha de vendas, sua tese de mestrado, e sua saga real de 890 páginas da vida de sua tatara-tataravó.

Aí está.
Esqueça todos aqueles adjetivos tocantes e fofinhos.

Se você não tem 1), 2) e 3), você não tem nada.

Se você não tem um gancho, você não vai chamar a atenção das pessoas, elas não vão parar e ver, então tudo mais será irrelevante.

Você precisa construir, onde cada palavra faz exatamente isso: constrói, adiciona algo ao que aconteceu antes. Se isso não ocorre, corte.

Finalmente, o desfecho: o pensamento que você quer que o leitor, ou espectador, ou consumidor leve com ele.

Qual é a coisa principal que você quer que eles lembrem?

É assim que uma grande sinfonia funciona, é como você escreve grandes textos, é como você deve montar seu portfolio.

Agarre a pessoa, mantenha-a interessada, deixe-a com algo para levar. Para mim, é o trabalho de um diretor criativo.

Para ter certeza de que cada trabalho saindo do departamento criativo tenha essa estrutura.

Não ditar o estilo da agência ou a execução.

Cada criativo tem seu estilo, como num time de futebol.

Mas saiba que a estrutura certa está em cada trabalho.

Porque essa estrutura: 1), 2) e 3) é como toda história funciona.

E funciona desse jeito por uma simples razão.

Porque é nessa estrutura que a mente humana funciona.

Capa, Interessante

O viés de confirmação pode atrapalhar seus negócios

shutterstock_79547737

Segundo a wikipedia, viés de confirmação é a tendência de se lembrar, interpretar ou pesquisar por informações para confirmar crenças ou hipóteses iniciais. É um erro de raciocínio indutivo que faz com que a pessoa veja apenas uma possibilidade, e não várias. O viés de confirmação é um dos maiores motivos pelos quais um “coxinha”, mesmo frente a uma argumentação válida e baseada em fatos que seja contrária ao que ele acredita, chama o interlocutor de “petralha”. Da mesma maneira, um “petralha”, quando tem contato com algum argumento sólido e baseado em fatos que contradiz o que ele pensa, chama o interlocutor de “coxinha”. Nenhum dos dois tem a capacidade de enxergar além do horizonte que criou para si próprio.

O viés de confirmação está por trás de muito do cenário social brasileiro nos últimos tempos, mais notadamente com a internet e as redes sociais. Se você reparar bem, sua timeline do Facebook e suas pesquisas do Google costumam trazer resultados que sempre corroboram sua crença inicial. Muitos não sabem, mas para uma mesma busca, os resultados do Google são diferentes para cada usuário, conforme seu histórico de navegação e interesses. O mesmo ocorre com as informações que aparecem no seu Facebook. Isso coloca as pessoas em uma bolha perigosa e irreal que nada representa a realidade lá fora. Ok, mas o que isso tem a ver com os negócios?

Quanto maior a diversidade de informações e conhecimento, maior vai ser a qualidade e a fundamentação das suas decisões. Com o viés de confirmação atuando, um líder tende a acreditar somente naquilo que já acreditava antes. E pior, cada nova informação apenas confirma esse pensamento. Isso acontece comigo, com você, com a diretoria da sua empresa. Só que, felizmente, o mundo lá fora é muito mais variado e plural em desejos, opiniões e comportamento do que a gente costuma acreditar ou perceber.

É claro que sua empresa precisa ter foco. Mas deixar de abrir os olhos para outras oportunidades é um grande risco. Um empresário de comportamento muito conservador, que se identifica com as ideias de bolsonaros ou malafaias, por exemplo, nunca vai perceber as oportunidades de negócios que existem num mercado como, digamos, o de casais homossexuais. Nos EUA, eles são chamados de DINKs – Dual Income, No Kids (renda dupla, sem filhos). Apenas por essa denominação já é possível vislumbrar o potencial de consumo.

Saia da sua sala, do seu mundinho, do círculo de pessoa que pensa como você. Procure argumentos contrários, ideias diferentes, possibilidades não vistas. Duvide das suas próprias crenças. Derrube o viés de confirmação.

É claro que você pode, sim, estar 100% certo. Mas se estiver apenas meio certo, você automaticamente abre 50% a mais de possibilidades.

Dan Zecchinelli
Diretor Executivo de Criação da Filadélfia

Capa, Interessante, News

O fim dos atravessadores?

Filadelfia_obstaculo

Não é para hoje, nem para esta semana, nem para este mês. Mas os atravessadores, os negócios que intermedeiam negócios, estão acabando. Ou mudando profundamente.

Repare: os aplicativos de táxi acabaram com as cooperativas. O Uber golpeou os aplicativos de táxi. As livrarias virtuais golpearam violentamente as reais. O Google Maps no celular acabou com os aparelhos de GPS. O Whatsapp deu um baque na telefonia celular brasileira. Na norte-americana e na europeia nem tanto, porque lá a maioria das operadoras não cobra por SMS.

Alguns setores usam o e-commerce como complemento a suas lojas reais. O setor de calçados já é um fenômeno de vendas online. Ainda é um pouco complicado comprar roupas pela internet, por causa do caimento. Mesmo assim, esse mercado avança a passos largos, especialmente entre o público feminino, ávido comprador de artigos brasileiros e chineses. A China, aliás, desindustrializou o mundo, e hoje você pode criar o design do seu próprio produto e pedir a um chinês para produzir, mesmo em pequena escala, e entregar a você. A impressora 3D será, em 5 ou 10 anos, ainda mais acessível do que é agora. Quem tiver um mínimo de aptidão vai poder esculpir seus objetos exclusivos em casa.

Um setor que já teve muitas inovações, mas ainda não conseguiu se reinventar totalmente, é o de supermercados. Fazer compras pela internet é uma realidade, um processo muito prático, mas muita gente prefere ir ao local e escolher seus próprios produtos. A dinâmica realmente parece anacrônica no mundo contemporâneo. Entrar no supermercado, pegar o carrinho, tirar o produto da gôndola, colocar no carrinho, tirar o produto do carrinho, colocar na esteira, colocar o produto no carrinho, levar para o carro, tirar do carro, levar para casa. Um processo de compra muito longo, mas tão natural. O supermercado ainda é um atravessador necessário, mas muitas empresas, inclusive o grupo Super Nosso, já estão trabalhando para deixar esse processo mais prazeroso e com menos etapas.

As agências de turismo precisaram se reinventar. O viajante independente, hoje, não precisa delas para nada. Daí a especialização: existem as populares, mas também as de turismo de luxo para endinheirados, que pagam pequenas fortunas por viagens exclusivas. Idosos também são um mercado forte, tanto pela renda, quanto pela falta de familiaridade com a internet.

As agências de propaganda também estão se reinventando, mas vão precisar evoluir mais ainda. O próprio nome – agência – pressupõe um serviço de agenciamento, isto é, de atravessador. Quem trabalha hoje com marketing de produtos ou serviços não quer apenas uma empresa que agencie sua comunicação, e sim alguém que use a criatividade para alavancar marcas, negócios e vendas.

Se sua empresa está no ramo dos atravessadores, repense seu negócio. O mundo está caminhando para mudar radicalmente essa função.

Dan Zecchinelli
Diretor Executivo de criação da Filadélfia

*Artigo publicado na página OPINIÃO do jornal Estado de Minas.

fechar

Conexões