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Chama a atenção nos últimos tempos a quantidade de estabelecimentos que vendem espetinhos. De carne, de queijo, de vegetais, não importa. A mesma crise que fez multiplicar os avisos de VENDE-SE e ALUGA-SE, também fez multiplicar os espetinhos: a cada esquina, um diferente.

A razão provavelmente é a mesma: ela, a onipresente crise. Que no caso desses estabelecimentos, provou-se uma oportunidade. Afinal, um bar desse tipo é o local ideal para descontrair e azarar sem pagar muito. Ao invés de ir a uma balada em local fechado, com música alta, entrada e bebidas caras, o consumidor tem uma opção em local aberto, com a mesma música alta, sem entrada, com bebidas baratas. Paga-se com antecedência, o que é muito mais prático. E para o público mais sofisticado, existem as opções gourmetizadas: com boi angus, cervejas importadas, em bairros nobres. É a balada em conta para todas as classes, inclusive as que normalmente são imunes aos altos e baixos econômicos.

Não é preciso um espaço muito grande, nem muitos empregados. Um ou dois na grelha, um para controlar o caixa, um para servir as bebidas, por meio de fichas pagas previamente. A matéria-prima também é abundante e de fácil aceitação. Em suma, uma mina de dinheiro. Mas será mesmo?

O espetinho é mais uma daquelas modas sazonais do comércio alimentício, assim como já foram as temakerias e as iogurterias. Quem percebeu e lançou seu empreendimento no momento certo, está colhendo os frutos. No entanto, se você pensa em ingressar nesse negócio por agora, cuidado. Muitos foram abertos nos últimos meses. Muitos ainda vão fechar nos próximos (alguns já fecharam), porque estamos agora no momento que os especialistas em marketing chamam de oceano vermelho: um mercado já saturado de players.

Um franqueador competente sabe como mapear a área de influência de cada loja, para que uma não canibalize os consumidores da outra. Algumas franquias, como o Boticário, já têm fila de espera para novas lojas. Apesar de serem uma brilhante alternativa em época de vacas magras como agora, não é esse o caso dos espetinhos.

Tudo indica que sairemos dessa crise. Lentamente, mas sairemos. E quem perceber as nuances do mercado, como a primeira geração dos empreendedores que descobrem novas alternativas – como os espetinhos – vai aproveitar as oportunidades onde a maioria só enxerga problemas.

Dan Zecchinelli
Diretor Executivo de criação da Filadélfia

*Artigo publicado na página OPINIÃO do jornal Estado de Minas.